domingo, 10 de outubro de 2010

O historiador Fernando Rosas na Biblioteca Municipal figueirense


F. Rosas em Famalicão

Foi mesmo no interior da Biblioteca, entre estantes, com sofás e cadeiras a aconchegarem.

Do programa constava o título da Tertúlia - "A República como movimento institucional e político". O seu animador era o Prof. Dr. Fernando Rosas (com um tio figueirense que chegou a ser ministro da Economia no Estado Novo,
João Dias Rosas).

Pensei na pequena notícia pós-Tertúlia, mas não me portei muito bem: primeiro deixando que um jogo de futebol (bem, não era um jogo qualquer, caramba! Foi o Portugal 3 - Dinamarca 1...) se metesse com a História e me levasse a chegar com significativo atraso; depois, com a pressa esqueci a máquina fotográfica, e de fotografias da sessão... é o que se imagina!

Confesso que estive a tentar superar o problema, mas parece que as notícias sobre o encontro ainda não chegaram à net ou aos jornais figueirenses (vi as páginas electrónicas do Figueirense e Voz da Figueira e... nada!) e sendo assim só me resta dar conta de que: 1- cheguei a tempo de assistir ao termo da descrição dos principais acontecimentos que levaram à vitória das forças republicanas e Carbonárias, nos dias 4 e 5 de Outubro de 1910; 2 - que em sequência F. Rosas se debruçou sobre os novos símbolos republicanos (Bandeira e Hino) e sobre os principais méritos (laicização da sociedade e a separação Estado-Igreja, o casamento, divórcio e registo civis; a educação e combate ao analfabetismo, etc.) e defeitos dos sucessivos governos da Primeira República (insensibilidade social sobretudo na relação com a classe operária, promessa do sufrágio universal não cumprida, as debilidades das políticas económicas e financeiras, os termos em que se processou a participação na Grande Guerra, etc.).

Terminou inventariando as cinco grandes razões que, na sua opinião, explicam a falência desta primeira experiência republicana (em 28 de Maio de 1926) e a implantação da ditadura militar que permitiu a criação do "Estado Novo" de Salazar (abordo-as apoiando-me, sobretudo, num artigo seu sobre a temática, publicado no jornal "Público" de 13 de Setembro último): a falta de democratização do sistema político vindo do liberalismo monárquico (o sufrágio universal nunca concedido) ; falta de uma base social de apoio alargada - incapacidade para encontrar apoio fora do eleitorado urbano da pequena e média burguesias (nunca avançou a reforma agrária, por exemplo); a luta com a Igreja nos termos em que se processou e que permitiu a esta (Igreja) virar o mundo rural contra a República "ateia", acusada de atacar a religião; a ruptura com o operariado organizado das cidades, que os governos republicanos foram agravando, com a repressão brutal e quase contínua sobre os sindicatos, os dirigentes e os operários em greve; por último a participação portuguesa no terreno europeu da Grande Guerra, geradora de múltiplos conflitos e de um cortejo de tremendas consequências económicas, financeiras, sociais e políticas.

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